Sem mais chances de vida, sem mais lamentos para me ostentar, sem mais sangue por entre as minhas veias jorrar, sem mais lágrimas por entre a face desleixo fazerem-se. Este é o fim. Vejo a luz que antes rodeava-me afastar-se pouco a pouco, o calor que antes me tomava, e fazia-me sonhar e acreditar com um futuro próximo e de gozo de felicidade, acabou-se aqui, foi dilacerado, pelo excesso de proteção exacerbado, que tira-me a liberdade, e sufoca-me no calabouço que cerca-me. Não dastes de contas, que quanto mais tentas me proteger do mundo, mais me afastas dele e mais me fazes infeliz.
Anseio de volta pela minha liberdade, pela minha maneira tão própria e aventureira de levar a vida, sou assim porque não entendes ao invés de julgardes, gosto de ver o vento da aventura insana batendo por entre meu rosto, gosto de cair, levantar, e de apreender com meus erros, gosto de errar para descobrir em meus defeitos, minhas qualidades, custava-te me dar um voto de confiança? Custava-te deixar a vida me impor cicatrizes, das minhas escolhas erradas? Aprenderia certamente olhando para elas, como foi difícil a luta.
Custava-te apenas compreender meus motivos, e deixar que eu me virasse por si só. Não.
O que fizestes? Me privou de lutar com medo que fosse derrotado. Tirou-me as armas, a espada, a armadura, tirou-me a vontade de lutar por um sonho, por um ideal, a vontade de fazer diferença no mundo, de tornar um pouco mais justo, sem apontar os erros, mas apenas visar a solução.
Recolheu da guerra e da luta, com medo do que mau que os outros pudessem me fazer, cercou-me em uma jaula, e adestrou-me para que fosse um "cãozinho amigo" e legal com todo o resto, talvez esteja errado em minha tese.
Mas vejo que por fim tudo estabilizou-se acabou a turbulência, e junto com ela acabaram os problemas, mas também as soluções, os erros mas também os acertos, os tombos e as subidas, o fracasso e o sucesso, acabou-se com o que era ruim e causava incomodo aos outros; mas acabou-se com o que me fazia feliz e me fazia rir desse mundo torto, e achar esperanças para que ele mude.
É fácil viver assim sem ser diferente ao olhar dos outros, e fácil ser uma máquina robótica que copia tudo que os outros fazem.
Difícil é ter identidade, e bater no peito e dizer "sou assim, não esta contente, não me importa", e difícil viver da sua maneira, e não da maneira que as pessoas querem que você viva; é fácil se oprimir do que lutar.
Assim estou como a sociedade quer uma maquina sem identidade, que é igual a todos os outros, que não inova, que não muda e que não põe a cara a tapa. Assim estou a cada dia perdendo mais minha identidade, minha felicidade, minha vida, para ser o ser que querem que eu seja.

